La Luna – Parte VI

...

Um pedinte mãe bateu à porta pedindo comida e água.

Mas vocês estavam abraçados.

Na verdade ele estava tão fraco que quase caiu e eu o aparei.

Tá, tá. Livre-se dele. Vamos velho, saia daqui.

Minha senhora – disse Lucius – não tem pelo menos um pão pra comer?

A mãe dele pegou um pão em cima do armário e atirou para o velho.

Tome, agora suma daqui.

Muito obrigado minha senhora. Vida longa para a senhora.

Lucius e Carnius saem da casa. Lá fora já está entardecendo.

Augusto, o que eu fale sobre estranhos? Estamos em tempos difíceis e há uma fera à solta.

Mas mãe era só um velho e um cão sarnento, o velho nem se agüentava em pé. Que mal poderiam fazer?

Mãe? Está tudo bem?

Ela fez que sim com a cabeça, mas não estava. Acabara de perceber seu erro, estava com Lucius e o guardião ao alcance de suas mãos e os deixou escapar. Estava em forma envelhecida por causa da poção, portanto estava fraco. Mas estava muito velho, totalmente irreconhecível. Será que Augusto sabia de alguma coisa? Não. Não tinha como saber.

Já estava tarde. Em algumas horas iria anoitecer. Em algumas horas Lucius daria a poção para o guardião e esse seria seu fim.

Antes de sair de casa, prendeu Augusto ao batente da porta com uma corrente.

***

Lucius estava nos arredores da vila quando viu um cavaleiro se aproximando pela estrada lamacenta. Como estava disfarçado ainda, não se preocupou em se esconder.

O cavaleiro parou ao seu lado. Um cavalo muito imponente e todo negro. O cavaleiro usava um sobretudo negro que cobria seu corpo todo, mas dava para ver a ponta da espada. Um arco encaixado de um lado da sela e uma aljava 1 do outro lado.

Velho, onde tem uma estalagem nesta vila?

Terceira casa, meu senhor. - apontei para a rua barrenta, o caminho que ele devia seguir.

Ele fez um sinal com o chapéu, agradecendo e seguiu naquela direção, que não era muito longe.

***

toc, toc, toc.

Quem é?

Um viajante cansado.

O que você quer?

Comida, bebida e um abrigo para mim e meu cavalo.

Todo viajante tem nome. Qual é o seu?

Marcus. Vim da parte de Micandrius.

Ele ouve o barulho de vários ferrolhos se deslocando e o chiado da porta de madeira se abrindo.

Entre, entre, não perca tempo, há uma fera a solta senhor. Dizem que é o filho de Micandrius e Doralice.

Então é verdade. Micandrius foi me procurar nas montanhas do norte, dizendo que um grande mal assola essa terra. Vim para aniquilar essa fera.

Muitos já tentaram, Sr. Marcus, mas jamais retornaram.

***

Marcus vim da parte de Micandrius.

Lucius ouvindo o nome de seu pai, pede a Carnius ficar na mata e resolve seguir o estranho. Entra na estalagem juntamente com e fica em uma mesa ao canto. Fica ouvindo o colóquio entre o entranho e o estalajadeiro 2. Ao perceber que sua honra está sendo maculada, resolve interferir.

Desculpe, Senhor...

Marcus.

Sr. Marcus ouvi que o sr pretende matar essa fera. – diz ele com a voz rouca de um idoso.

Isso mesmo.

Lembre-se, nem tudo é o que parece.

O que quer dizer com isso velho?

Vá embora daqui velho – disse o estalajadeiro – deixe o meu freguês em paz.

Lembre-se Sr. Marcus. Ao luar nem tudo é o que parece – disse Lucius, já fora da estalagem.

Quem é esse velho? – pergunta Marcus ao estalajadeiro.

Não sei, nunca o vi aqui na vila.

***

E então? – pergunta Carnius.

Meu pai o mandou, vamos para dentro da floresta. A poção está começando a perder o efeito.

A transformação foi rápida, os pelos da barba de Lucius caíram e rosto ficou liso e imberbe e seu corpo ficou ereto novamente.

Carnius sofreu uma transformação mais drástica. Enquanto que para envelhecer a pele apenas enrugou, para reverter teve que abandonar a pela velha. Enquanto ele voltava ao tamanho natural, mais que o dobro do tamanho de um cachorro grande, ela ia se esticando e rasgando para surgir a nova pele e pêlos novos.

Bem melhor agora. – disse Carnius.

Também acho.

A lua ia crescendo por trás das montanhas.

Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...

Está na hora.

***

Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...

Marcus salta da cama de um pulo e pega sua espada, vendo o quarto vazio, pega também seu sobretudo, com cuidado e verificando seu interior. Tinha vários tubos com essência de alho, pontas de flecha de vários formatos com ponta de prata especialmente confeccionada para entrar e só sair se fizesse um grande corte no local para removê-las, frascos com água benta, não que ele era religioso, mas era um caçador e tinha que estar preparado. Pegou seu carcás 3 e seu arco e foi para o estábulo pegar seu cavalo.

Hoje você morre fera maldita.

Selou o cavalo rapidamente encaixou as armas e cavalgou para a floresta.

Auuuuuuuuuuuuuu...

O uivo estava mais forte agora, estava mais próximo. Marcus resolve desmontar e deixar o cavalo preso a uma árvore. O som dos cascos e o cheiro do animal poderiam denunciá-lo.

Foi se esgueirando pelas árvores, ao se aproximar de um lago, pode ver na outra margem um garoto sendo seguido por um lobo europeu. Circundou o lago, garantindo que ficaria contra o vento e para ter uma visão lateral do lobo. Posicionou-se e preparou a flecha no arco e a esticou bem, fazendo mira.

***

shiiiiiiiiiiiiiiiiii...

Com a audição privilegiada, Carnius ouve a flecha se aproximando e manda um comando mental para Lucius.

“Cuidado, abaixe-se”

Lucius se atira no chão e Carnius desvia da flecha que passa zunindo próximo à sua cauda.

Marcus com a certeza de que ia abater no primeiro disparo, não preparara outra flecha, quando percebe seu erro, começa a colocar outra flecha no arco, mas quando começa a fazer mira, vê Lucius na frente do lobo, gritando.

Nem tudo é o que parece sr Marcus.

Pela primeira vez Marcus, o caçador, fica em dúvida.

O que disse? – grita de volta

Lembre-se sr Marcus, nem tudo é o que parece.

De onde você me conhece, pois eu nunca o vi?

Conversei com o sr há algumas horas, na estalagem da vila, é claro que o senhor não se lembra, porque eu estava na forma de um velho.

Que bruxaria é esta? Você é algum feiticeiro?

Deixe-me aproximar. Quem o mandou aqui foi Micandrius... meu pai.

Aproxime-se, com cuidado, e mantenha o lobo onde está. – disse Marcus, desarmando o arco e desembainhando a espada.

Esclareça essa história. – continuou Marcus.

Vou ser breve, pois não temos muito tempo.

1 Aljava – Coldre ou estojo para flechas - NA

2 Estalajadeiro – Hoteleiro - NA

3 Carcás – o mesmo que aljava – NA

Continua...

Espelho


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Assalto

Solidão

VINGANÇA DO CORAÇÃO