Tempestade elétrica - Parte 2

Tempestade elétrica
Parte 2
Por Jack Sawyer
Enredo: Rita Maria Felix da Silva


“- O senhor tem uma nova ligação Sr. Lucas.”- disse a voz sintetizada de Gina, agora através de um holograma.
- Quem é desta vez?
“- É o chefe de pesquisas da Laborcri, senhor Lucas. Transfiro a ligação?”
- Sim, mas sem o vídeo.
- Bom dia senhor Lucas Uriel? – diz a voz suave e alegre do doutor.
- Não creio que seja um bom dia, é a segunda vez que sou acordado hoje. E como o senhor usou este número, acredito que não seja um bom dia para o senhor também. A propósito, quem é o senhor e como conseguiu este número? – questiona Lucas.
- Meu nome é doutor Marcos Albrieri, chefe de pesquisas da Laborcri, laboratório de criogenia. Eu represento várias pessoas, deste e de outros séculos. Seu nome é citado como um dos melhores caçadores e temos um trabalho para o senhor.
- Prossiga.
- Recentemente, uma das cabeças congeladas em meu laboratório sofreu...
- Vá direto ao ponto. – interrompeu a conversa impaciente.
- Bom, precisamos que capture uma pessoa.
- Quem?
- Esse é o problema, não sabemos quem.
- Isso é algum tipo de brincadeira doutor?
- Não, absolutamente. Deixe-me explicar. Como estava dizendo, uma das cabeças sofreu um descongelamento precoce. O contrato deste cliente é bem claro quanto às regras de um novo corpo. Ele exige que seja um corpo jovem e saudável, por volta dos 30 anos, humano puro, sem nenhum implante cibernético e principalmente que seja um condenado, com morte decretada.
- Porquê tudo isso? Porque tem que ser um condenado?
- Bem, meu cliente, quando tinha seu próprio corpo, era uma pessoa de ideais e, quando lhe falamos que para re-implantar a cabeça, deveríamos ter um corpo vivo, ele não aceitou a idéia de ter que assassinar alguém para beneficio próprio. Então ele propôs estas regras.
- Quanto vai pagar por isso?
- A Laborcri pagará ao senhor T$ 75.000,00. - (trits, moeda local).
- Meu preço é T$ 150.000,00, à vista e sem devolução.
- É uma soma muito vultuosa, não acha senhor Lucas?
- Pelo que entendi, vocês querem um corpo, mas não é qualquer corpo. Eu tenho que entregá-lo vivo, sem danos ao corpo e ao cérebro, e tem que ser rápido, estou certo?
- Infelizmente sim, senhor Lucas. Mas esse valor está fora de minha alçada. Devo consultar meus associados.
- Tudo bem. Me ligue quando tiver a resposta. Desligando.
- O que acha Gina?
“- O senhor terá que concluir o primeiro trabalho antes de aceitar este.”
- Não é isso. Pense. Dois trabalhos, duas recompensas, um alvo.
“- O senhor pretende entregar o alvo do primeiro trabalho para este?”
- E porque não. Verifique o dossiê, e veja se nosso alvo tem algum implante cibernético.
“- Não senhor, é um espécie puro”
- Ótimo. Faça contato com Tavienko.
Alguns segundos depois...
“- Tavienko na linha senhor Lucas.”
- Há algo que não compreendeu no dossiê, senhor Lucas?
- O dossiê está claro, só queria fazer uma alteração. Ao invés de lhe enviar o corpo, posso mandar só a cabeça?
- Desde que não esteja viva, para nós é indiferente.
- Tudo bem, era só esta alteração. Não queria ficar carregando um peso morto. Desligo.
“- O doutor Albrieri está aguardo na linha.”
- Pode transferir Gina.
- Senhor Lucas, aceitamos suas condições, mas temos um prazo de 72 horas.
- Também tenho uma exigência. Quero ficar com a cabeça.
- Não vejo mal nisso, já que ela será descartada. – diz o doutor.
- Então temos um acordo. Gina, minha C.A. (consciência artificial) irá lhe passar os detalhes da transação.

Continua...

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