O Assalto

Olá meus amigos leitores. Por motivo de alguns dos meus contos estarem divulgados em outros sites e grupos de discussão, e terem tido uma visibilidade agradável, resolvi mudar meu pseudônimo, assinando agora como Jack Sawyer. Espero assim agradar mais leitores. Obrigado pela atenção e compreensão.

O Assalto

“Zoinho” era um rapaz magrinho, porém com musculatura desenvolvida, principalmente nas pernas.

Apareceu na cidade já há algum tempo e fez amizade com todo mundo. Se perguntasse para alguém se conhecia o “Zoinho” esse alguém diria:

Ah! É aquele rapaz baixinho que está sempre escrevendo? Conheço sim. Bom garoto. Ao invés de ficar por aí vadiando, sempre senta em algum lugar e fica escrevendo. Acho que ele é um exemplo para essa garotada.

Mas o que ele escreve tanto? Sempre que alguém se aproxima ele fecha o caderno e age como se nada tivesse acontecido, puxando conversa e distraindo seu interlocutor.

Mas de onde ele veio? Onde ele mora? Ninguém sabe. E ninguém se pergunta, pois ele não dá trabalho, não incomoda ninguém.

Mas na verdade “Zoinho” era olheiro de uma gangue de assaltantes. O caderno dele está repleto de esquemas, horários de entrada e saída dos principais comércios e bancos da cidade, roteiros das pessoas mais importantes.

“Zoinho” sabe tudo. Quando as pessoas estão em casa e quando não estão. Seus horários de saída e retorno. Quando fazem compras. Quando saem para ir ao banco e aos comércios. Sabia os dias de maior movimento nos bancos e nos comércios. Ele sabia tudo. E conseqüentemente, seus companheiros também.

Nunca ninguém o interpelou porque ele ficava parado tanto tempo na frente de algum comercio, pois ele não fazia nada.

Ele pode perceber que a cidade era pequena e a segurança era relaxada, pois não acontecia nada mesmo.

Então eles armaram um esquema. Escolheram um dos bancos de maior movimento. Escolheram também o dia e o horário. De acordo com “Zoinho”, o começo da semana era melhor e o horário teria que ser a tarde, pois tinha menos gente e o pessoal estava mais cansado. Na cabeça deles estava tudo arranjado, carro de fuga, entrada e saída.

No dia e hora escolhido, “Zoinho” entra na agência na área de atendimento. Estava com uma bermuda longa que cobria suas tatuagens, boné e óculos espelhados, iguais a esses que os surfistas usam.

Chegou na porta de vidro de acesso a acesso à deficiente, tirou do bolso um tudo de spray e esguichou uma espuma em volta da fechadura. Depois de completar o círculo, tirou um tablete parecido com um chiclete do outro bolso e enfiou na espuma que ele havia esguichado na porta e se afastou.

Um dos guardas, percebendo que ele julgou como uma traquinagem, foi ter com o garoto quando mais três homens entram todos de preto e encapuzados. Um deles com um controle remoto na mão, ele aponta para a porta e aciona. Logo em seguida há uma pequena detonação e a porta de vidro estilhaça pegando o guarda e os funcionários de surpresa.

Os quatros, incluindo “Zoinho”, entram na agência gritando.

Aí mano, ninguém se mexe que ninguém se machuca. A gente só qué os pacotes e vamu embora.

Dois deles rendem os guardas, um rende os funcionários e um cliente que estava na agência ainda e o “zoinho” ficou encarregado das câmeras.

Aí baixinho, dá um jeito nas câmeras.

Ele olhou uma delas, tomou distancia e deu um salto, pulando em cima de uma mesa depois bateu o pé na parede e arrancou a câmera. Fez a mesma coisa com a outra, desta vez usando a mesa como apoio e saltando em cima de um armário e destruiu a outra câmera. Apesar de magro, tinha muita agilidade.

“Era um lupino” pensei “e devia ter mais de 100 anos, para poder incorporar suas habilidades de lobo ainda na forma humana”.

Seria fácil dar cabo dos três, mas o baixinho me preocupava. Eu teria que agir quando ele não estivesse olhando, pois ele poderia perceber meus movimentos, e eu não queria me revelar. A minha raça sobreviveu há tantos anos sem se envolver com brigas entre os humanos. Não poria tudo a perder agora. Por outro lado não poderia correr o risco de haver um tiroteio e eu ser baleado por acidente, como eu explicaria o meu sangue negro?

Resolvi agir. Sem que o lupino e os demais percebessem, apertei o “redial” do telefone, e o aparelho de outra mesa tocou. Aproveitando esse pequeno momento de distração em que todos olham para o aparelho, estiquei minhas longas unhas e usando minha velocidade vampírica, cortei a garganta dos três e voltei para minha posição.

Por alguns momentos parecia que o tempo tinha congelado. Aos poucos os três assaltantes olharam um para o outro, o sangue escorrendo por baixo o capuz. Eles tentam reagir, levantar as armas, mas parecem tão pesadas. Largam as armas e levam as mãos ao pescoço. Apavorados e já sem forças tombam sobre os joelhos e caem em convulsão devido a perda de sangue.

Os guardas reagem rápidos sacam de suas armas e apontam para o lupino que percebendo o que havia ocorrido e atraído pelo cheiro de sangue, começa a se transformar.

SEUS IMBECIS. TODOS VOCÊS VÃO MORRERRRRRRR... RAAAAARRRRRRR.

Não completou a frase, mas sim a transformação, os policiais começaram a atirar assustados. Como um garoto baixinho e magrelo ficou daquele tamanho.

Eu sabia que essas balas nada fariam com a fera além de irritá-lo ainda mais. Olhei em volta a procura de algo que pudesse usar como arma e vi em uma mesa um abridor de cartas. Era maciço e feito de prata. Aproveitando que todos estavam abaixados devido ao tiroteio e de medo da fera, atirei o espeto de prata bem no meio das costas da besta, que parou de tentar atacar os vigilantes e começou a se concentrar em extrair o artefato de prata. Mas estava bem alojado e ele girava sobre si mesmo igual quando um cachorro persegue o próprio rabo.

Aos poucos foi enfraquecendo e voltando a forma humana. Morrendo logo em seguida.

Consegui dar fim à situação sem me comprometer.

Vocês devem estar se perguntando, como um vampiro pode andar de dia? Eu posso responder. A tecnologia dos cosméticos está muito avançada. Hoje existem cremes e bloqueadores solares que fazem maravilhas, coisinhas que, no século passado eu nem sonhava que poderiam existir. Meu nome é Alexsander Cróton, vocês ainda vão ouvir falar de mim... em algum beco escuro.

Jack Sawyer

Comentários

Sandra Franzoso disse…
Show de bola, Jack! realmente, hoje em dia já é possível andar em plena luz do dia rsrs. E viva a modernidade!

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